O Ministério Público da Bahia (MP-BA) deflagrou, nesta terça-feira (9), a Operação Bodyscan, que investiga um esquema de entrada e distribuição de drogas no Conjunto Penal de Brumado, no sudoeste do estado.
A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e pelo Grupo de Atuação Especial em Execução Penal (Gaep), com apoio da 3ª e da 4ª Promotorias de Justiça de Brumado.
Durante a operação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em imóveis localizados nas proximidades da unidade prisional. As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Criminal da Comarca de Brumado, a pedido do MP-BA.
Segundo o órgão, as investigações apontam a existência de uma organização criminosa responsável pela introdução, transporte, guarda e distribuição de drogas dentro do presídio.
O grupo utilizava o acesso funcional de profissionais ligados ao serviço de saúde bucal da unidade para facilitar a entrada de entorpecentes e repassá-los a detentos previamente identificados.
A apuração teve origem em um flagrante ocorrido em março deste ano. Conforme documentos obtidos pela TV Bahia, um interno foi encaminhado para atendimento odontológico e, após o procedimento, feito por uma cirurgiã-dentista, recebeu dois pacotes de gaze lacrados com a orientação de entregá-los a ocupantes de uma cela específica da unidade.
Durante uma revista de rotina realizada por policiais penais, os agentes encontraram os pacotes escondidos com o detento. Dentro das embalagens havia porções de maconha e cocaína.
Em depoimento, o preso afirmou que recebeu o material diretamente da profissional responsável pelo atendimento e que deveria apenas repassá-lo aos destinatários indicados.
Uma auxiliar de saúde bucal que trabalhava na unidade prestou depoimento como testemunha e relatou ter percebido comportamentos considerados suspeitos na manhã do flagrante. Segundo ela, a profissional investigada foi vista lacrando pacotes de gaze pouco antes do atendimento ao detento.
Ainda conforme o depoimento, a justificativa apresentada para a entrega do material não seria compatível com o estado de saúde do interno, que não apresentava sangramentos ou outra condição que justificasse o fornecimento das gazes.
Fonte: G1 Bahia

