Estudo aponta cinco estratégias para reduzir hesitação vacinal

Foto ilustrativa: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O enfrentamento da hesitação vacinal depende da combinação de cinco estratégias: comunicação adaptada a diferentes públicos, combate à desinformação, capacitação de profissionais de saúde, ampliação do acesso à imunização e ações específicas para gestantes.

É o que aponta um estudo publicado nesta segunda-feira (12) na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde. O trabalho reuniu 48 revisões sistemáticas publicadas entre 2012 e 2024 sobre intervenções para reduzir a hesitação vacinal em adultos e gestantes, incluindo dados referentes às vacinas contra Covid, influenza, HPV, hepatite B, coqueluche e pneumococo.
 

Segundo os autores, as medidas tendem a funcionar melhor quando aplicadas em conjunto e adaptadas às necessidades de cada população. A síntese foi elaborada a partir de uma chamada pública do Ministério da Saúde para orientar políticas públicas.
 

A primeira estratégia é adaptar a comunicação a diferentes públicos. As campanhas devem considerar as características socioculturais de cada grupo e explicar os benefícios individuais da vacinação e sua importância para a proteção coletiva.
 

Isso pode incluir informações em outros idiomas para migrantes, linguagem simples sobre a segurança dos imunizantes e participação de lideranças comunitárias e religiosas. Influenciadores digitais também podem ampliar o alcance das mensagens.
 

“Cada população, cada comunidade, vai sofrer barreiras diferentes para se vacinar”, afirma Ana Paula da Costa Marques, professora de microbiologia do Instituto de Biociências da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e uma das autoras do estudo. As estratégias devem considerar “as características do grupo que se pretende trabalhar e qual é o objetivo”, acrescenta.

A segunda estratégia é combater a desinformação. Segundo o estudo, autoridades e profissionais de saúde podem responder a conteúdos falsos nas redes sociais e divulgar informações científicas em linguagem acessível. O trabalho também aponta a importância de prevenir a disseminação de informações enganosas, com medidas como monitoramento e políticas regulatórias.
 

“É muito melhor prevenir a desinformação do que trabalhar nela depois que ela já foi disseminada”, afirma Marques.
 

O pediatra Juarez Cunha, diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), afirma que a falta de confiança nas vacinas, nos profissionais e nas instituições também pode afastar a população da imunização. Por isso, afirma, é importante identificar os fatores que interferem na vacinação em cada localidade para definir as medidas mais adequadas.
 

A terceira estratégia é capacitar os profissionais de saúde de forma contínua. Os treinamentos devem abordar conhecimentos sobre imunização e habilidades de comunicação, para que os profissionais consigam conversar com a população de forma clara e acolhedora.
 

A recomendação direta durante o atendimento também pode influenciar a decisão de se vacinar. Para Marques, o vínculo entre profissionais e pacientes é importante. Cunha acrescenta que os profissionais precisam estar bem informados para responder às dúvidas, tanto nas unidades de saúde quanto nas redes sociais.
 

Para Rosane Orth Argenta, gestora de saúde e CEO da Saúde Livre Vacinas, rede privada de clínicas de imunização, a recomendação de vacina precisa partir do profissional, sem esperar a iniciativa do paciente.

“O profissional não deve apenas esperar que o paciente pergunte sobre a vacinação. Ele precisa avaliar o calendário vacinal e recomendar as vacinas indicadas”, afirma.
 

A quarta estratégia é ampliar o acesso à vacinação. Nem toda pessoa que deixa de se vacinar está recusando a imunização. Em alguns casos, a dificuldade é logística, como a falta de tempo para comparecer a uma unidade de saúde.
 

Horários estendidos, atendimento aos fins de semana, unidades móveis e oferta de doses em escolas, empresas e universidades podem reduzir essas barreiras.
 

A quinta frente é voltada a gestantes e puérperas. O estudo recomenda esclarecer dúvidas sobre possíveis efeitos adversos para a mãe e o bebê e oferecer vacinas durante o pré-natal e nas maternidades, com orientações e materiais explicativos.
 

“Quanto mais tiver essa relação do profissional de saúde com a gestante, indicando, recomendando a vacinação, melhor”, afirma Marques.
 

As recomendações são apresentadas em um momento de recuperação da vacinação infantil no Brasil. Em 2026, o país deixou a lista dos 20 com maior número de crianças “zero-dose”, segundo estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde)ização Mundial da Saúde)ização Mundial da Saúde) e do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
 

São consideradas zero-dose as crianças que não receberam a primeira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche. No Brasil, a proteção é oferecida pela pentavalente, que também previne hepatite B e infecções por Haemophilus influenzae tipo b.
 

Em 2025, 50 mil crianças estavam nessa situação, ante 255 mil em 2024. Para Marques, a recuperação das coberturas vacinais é importante diante do risco de reintrodução de doenças que haviam deixado de circular de forma sustentada. Quando elas se tornam menos frequentes, parte da população pode deixar de reconhecer sua gravidade e os riscos da queda da imunização, diz.
 

Guatemala, México, Estados Unidos, Peru e Canadá concentravam 99,5% dos casos confirmados de sarampo em 2026. Em novembro de 2025, a transmissão endêmica foi restabelecida no Canadá, levando a região das Américas a perder o status de livre da circulação endêmica do sarampo, em meio a um crescimento do movimento antivacina.
 

No Brasil, até 5 de outubro, foram registrados 52 casos importados, sendo 41 em São Paulo, dez no Amazonas e um no Rio de Janeiro, segundo o Ministério da Saúde. O país mantém o status de livre da circulação endêmica, recuperado em novembro de 2024. A cobertura da primeira dose da tríplice viral chegou a 93,1% em 2025, abaixo da meta de 95%.
 

O projeto Saúde Pública tem apoio da Umane, associação civil que tem como objetivo auxiliar iniciativas voltadas à promoção da saúde. Lanches

Fonte: Bahia Notcias

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